Um peixe muito grande

(nenhum peixe fica grande à toa…)


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Pedaladas

Bate papo entre amigos, discorrendo sobre besteiras cotidianas e surge uma revelação: “não sei andar de bicicleta“. O sujeito, no alto dos seus 30 e alguma coisa, diz não saber e não ter curiosidade de aprender. O assunto passa a ser esse, e outros também reconhecem não saber. Fica aquela divisão de opiniões: uns são doidos pra aprender mas tem vergonha de admitir, outros tem medo, outros não acham que isso seja uma questão. Fiquei o mais quieto que eu podia, mergulhado nos meus pensamentos: não me imagino sem saber pedalar. Ou sem nadar. Ou sem remar. É, não sou parâmetro pra esse tipo de papo – e que bom que não falaram de skate, pois aí seria minha vez de ficar sem jeito. Continuar lendo

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Devaneios carnavalescos 

Nos dias que acordamos questionando uma porrada de coisas e reavaliando as decisões passadas, deveríamos ser proibidos de escrever. Como não somos, lá vou eu…

Lá vamos para a reta final dos eventos momescos (os primeiros blocos se apresentam neste fim de semana, 2 semanas antes do carnaval propriamente dito). Paro pra pensar nos últimos carnavais : inevitável. Minha memória não é tão boa quanto já foi, mas sem forçar muito eu alcanço até o ano de 2006, fora uns flashes de 1995 a 2002 (não tenho qualquer memória dos carnavais num determinado relacionamento – melhor assim). 

Posso dizer que o “jogo” começou em 2006: ano que (re) descobri o carnaval de rua, os blocos tradicionais, a batucada, as fantasias, a brincadeira e a alegria. O Banga me abriu as portas para este novo mundo, é fato. Naqueles ensaios num canto escuro da Fundição Progresso nos fins de 2005 eu começava a rascunhar um novo e importante capítulo da minha biografia. Minha vida pode ser contada considerando antes e depois dos acordes de guitarra do Thiaguinho começando o arranjo original de “Caminho das águas“, ou o transe da bateria tocando ijexá em “Filhos de Ghandi / Anunciação“, ou do vozeirão do Serjão Loroza em “Acende o farol“.

Hoje, 12 anos depois, comparo minha dinâmica de vida e como o carnaval se adapta a ela. Ou melhor, como minha vida se adapta ao carnaval, sejamos realistas. Tive a sorte e o privilégio de participar de muita coisa importante. Toquei nos melhores palcos, tive (e tenho) bastante público, vi como colegas os que outrora foram meus ídolos. Ainda são, somente desceram de seu Olimpo momesco e os vejo tão ou mais de carne e osso que eu. Lá atrás, quando tudo estava começando, me imaginava num futuro distante, participando de um documentário sobre carnaval nos anos 2000 e falando “aquele fulano ali, hoje famoso, bebia caipirinha com muito açúcar e tinha receio de emagrecer demais por comer pouco durante a loucura carnavalesca”. Ou coisa parecida.

Hoje eu vejo o carnaval seguindo seu caminho, e eu aos poucos ficando pra trás. A vontade era de nunca sair desse bonde, mas a vida (sempre) tem outros planos. O medo de não ser lembrado acaba se transformando na ideia de que eu posso ter sido uma versão foliã tupiniquim do Forrest Gump 😀

Talvez seja uma tentativa de tentar se enxergar ao centro de alguma coisa (que seja o carnaval, vá lá). O carnaval segue, a vida segue, mas eles nunca mais serão indissociáveis. Se tudo realmente acabar nessa próxima quarta feira de cinzas, ou em uma outra daqui a 2, 3 ou 10 anos, mesmo assim o carnaval sempre fará parte de mim, e eu sempre serei parte do carnaval. Chegando ou não ao final (espero que não, mas vai saber), esta missão já está cumprida.


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Os shows marcantes

Eu tava aqui me preparando mentalmente pra pescar duas músicas do Alceu Valença pra fazer o link com dois momentos da minha vida que me deixaram aqui pensativo. Tudo certo, seria na pegada ‘autobiográfica’ que eu pretendo seguir em maior ou menor grau. Mas aí um pensamento puxou outro, lembrei de como conheci a música do Alceu, de como foi deixar de ser ouvinte pra participante e pesquei uma relação direta de alguns shows com momentos bem relevantes pra mim. Nem todos no meu Top 10, mas quase. Outro dia volto ao Alceu e conto essa história de participante 😀

Essa correlação veio tão forte na cabeça que é um verdadeiro rasante na minha linha do tempo. Bom pra contar pra Luisa um dia, se minha memória resistir até lá. Simbora:

Oingo Boingo, “estádio” do Flamengo (1990) – simplesmente o primeiro show que eu fui na vida. Seria melhor se não fosse um playback descarado, mas como adoro Oingo Boingo até hoje tá valendo.

Simply Red, praça da Apoteose (1993) – show com a banda em grande fase (álbum “Stars”) e eu com uma história recentíssima com a música ‘For your babies’.

Jamiroquai, MAM (1997) – banda no auge, atração principal de um dos dias de Free Jazz (também no auge). Convite bem difícil de conseguir seguir, e o evento bar pré show / show / saideira foi o símbolo da época mais boêmia da minha vida. Pra complicar, deveria ser proibido um evento vender tequila mais barato do que cerveja 😉

Mark Knopfler, Metropolitan (2001) – show memorável e marcante: sorte imensa de ir (ganhei numa promoção da Rádio Cidade) e com pormenores que marcaram o fim de uma relação muito importante. Fora que teve o aplauso mais longo que já presenciei (5 minutos aplaudindo ‘Sultans of swing’)

Alceu Valença, Canecão (2003) – marcou o início do meu flerte com a música popular brasileira. Flerte que virou projeto e que gerou realização : Bicho Maluco Beleza inesquecível (objeto de um post posterior).

Bangalafumenga, Teatro Livre da Fundição (2005) – naquelas quintas feiras nasceu o carnaval pra mim. Desde os primeiros acordes de ‘Filhos de Ghandi / Anunciação’, nasceu uma parte de mim da qual não abro mão.

Franz Ferdinand, Fundição Progresso (2006) – o show de rock que eu nem sabia que queria ver. Felizmente não perdi o timing. Além disso, o primeiro show da vida onde realmente me senti acompanhado.

Keane, Metropolitan (2008) – foi meu segundo show dessa banda. O primeiro poderia ter a mesma descrição desse do Franz Ferdinand acima (trocando só ‘primeiro’ por ‘segundo’). Mas esse aqui de 2008 foi marcante pelo movimento de independência da época : basta ouvir “Again & again” pra vir tudo na minha cabeça de novo.

Paul McCartney, Morumbi (2009) – fora o sonho encubado desde 1990 (o show que eu muito quis ir no Maracanã mas não consegui por vários motivos), foi uma das grandes catarses da minha vida. Boa parte de quem sou hoje nasceu naquele show.

Teenage Fanclub, Circo Voador (2011) – realização de um sonho adolescente. Começou com uma mera curiosidade de vê-los ao vivo, mas fui inebriado pelos sucessos dos meus anos 90 cantados ali.

Morrissey, Fundição Progresso (2012) – outro sonho de adolescente sendo realizado. O show nem foi essas coisas, mas valeu pelos meus anos 80.

Alanis Morrisette, Metropolitan (2012) – pela gíria de hoje, foi “fechamento” de várias pontas soltas de décadas passadas, e de bônus o insight da família que eu ia construir em seguida.

Moraes Moreira & Davi Moraes (Acabou Chorare), Circo Voador (2013) – ver ao vivo um disco mítico, que embasa toda minha vivência com o carnaval :não tem preço!

Caetano & Gil, Metropolitan (2015) – esse show foi quase um atestado de maioridade. Já tive muita implicância com os dois (em especial com o Caetano), depois reconhecimento por suas qualidades como músicos e letristas e posteriormente uma grande admiração. E nesse show, todo esse amadurecimento ficou transparente para mim.


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Resoluções 

Quase um ano protelando, e cá estou eu. Achava que meu grande desafio era concatenar as ideias em um texto minimamente agradável (seja lá pra quem for). Na verdade, eu precisava encarar meu próprio padrão de exigência.

Não priorizar tempo para reflexões e sua perpetuidade era parte do problema.  Encarar a escrita como uma terapia é parte da solução. E que venham também  os causos que eu sempre quis contar, antes que minha memória não seja lá tão boa assim.

Obrigado por esse kickoff, 2017!  (e tem gente que não acredita em resoluções de ano novo)


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O tal fechamento

Engraçado como a gente às vezes precisa de muito tempo pra conseguir enxergar o porquê de algumas pessoas ou situações passarem pela nossa história. Isso quando percebe, não é? Eu aqui lembrando de uma porrada de coisas que eu vivi, pessoas que conheci e situações que passei nos últimos, digamos, 20 anos, e de repente várias delas tiveram sua razão de ser no geral. Ah sim, isso tem a ver com aquela ideia de deixar um rastro de causos escritos pra filha(s), neto(s), sobrinhos, etc se divertirem um dia (eu pelo menos me divirto com os causos dos meus avós). Ainda não desisti de escrever isso algum dia.

Voltando ao assunto: vivendo um dia de cada vez às vezes a gente não entende porque, por exemplo, você “perdeu” tempo com um determinado grupo de amigos. Passa um tempo e você pensa: “onde eu estava com a cabeça? Aquilo ali não tem nada a ver comigo“. A gente vai mudando a perspectiva das coisas e às vezes não percebe. Eu fui assim, e conheço vários casos parecidos. Mas depois de MUITO tempo, se a gente consegue ver um sentido nas nossas vidas (e aí falo de objetivo, mesmo), tudo acaba fazendo sentido.

Isso tudo só pra dizer que desde que eu botei na cabeça que ia achar uma pessoa maneira pra constituir família (pelas minhas contas isso tem quase 25 anos), eu consigo enxergar a contribuição de CADA pessoinha pra quem eu sou hoje. Até aquelas que me jogaram na lama (é, deve ter sido uma lama medicinal hahahaha). Pra algumas eu de um jeito ou de outro já agradeci. Para todo o resto, fica aqui meu muito obrigado 😉


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Caiu a ficha

Sempre adorei essa música, mas HOJE (ok, na verdade foi semana passada, mas só hoje eu concatenei as ideias na forma de um post) eu acho que finalmente compreendi a essência do que está sendo cantado.

Tava pensando em uma porrada de coisas que eram muito importantes na minha vida há 4, 6, 7, 10 anos (nessa ordem mesmo) e que, na dinâmica atual são meras lembranças. Algumas angústias de outrora, risíveis. E como eu faço correlação de ideias com versos de músicas que eu gosto com alguma frequência, na hora cantarolei sozinho: ‘hearts and thoughts they fade, faaaaade awaaaaay…

Pois é, Eddie Vedder, você subiu ainda mais no meu conceito com essa. Como se já não bastasse a trilha sonora de ‘Na natureza selvagem‘…

 


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Demora mas vai

Muito sendo escrito mentalmente, boa parte já inclusive passou pela autocensura. Falta só por em prática (ou melhor, no ar).

Pra que esse post não seja um total desperdício de tempo (meu, seu, nosso), alguns pensamentos soltos:

  • Certas coisas só fazem sentido depois de bastante tempo depurando na cabeça. Ênfase em tempo (coisas de 20 anos atrás finalmente fazem sentido – e se eu falar mais será spoiler do que pretendo escrever);
  • Memórias são seletivas para o bem e para o mal. Para o mal sempre foram (acho que sou assombrado por micos, vacilos, gafes e afins desde os meus 5 anos de idade), mas as seletivas do bem estão reaparecendo com a paternidade;
  • Consequência natural das memórias seletivas que afloram após muito tempo: como aplicar na educação na minha filha por ter uma boa idéia do que se passa na cabeça dela (seja por lembrar da infância das minhas sobrinhas, que felizmente foram um bom laboratório, seja por lembrar de coisas da minha própria infância);
  • Conceito de propósito na vida a gente só depura MESMO depois de pelo menos 35 anos. Se der mole daqui a uns 25 anos ainda vou ter uma opinião mais concreta ainda a esse respeito (se o médico alemão não der as caras, claro)
  • Eu vejo o corretor ortográfico dizendo que está errado escrever ‘idéia’ (com acento), mas já sou velho o suficiente pra preferir o jeito antigo (mesmo estando errado). Que se dane o acordo ortográfico! 🙂


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Paternidade so far

Uma vida de idealização. Uma jornada pra preparar o terreno (incluindo nisso conhecer e casar com a mãe). Um tempinho de tentativa. Um instante (que pareceu interminável) de felicidade infinita na descoberta. Nove meses de zelo, preparação, planos e cuidados. Sete meses dando um reboot nas nossas vidas e nas nossas famílias. E conhecendo um amor tão intenso, tão puro, tão divino… Dá vontade de rir de tudo o que pensei a esse respeito nos últimos 41 anos. É sem dúvida o grande projeto da minha vida.


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Top 5 pra quem está (ou gostaria de estar) de saída

Um ano que começa estranho, uma série de escândalos loteando os jornais todos os dias, a violência aumentando. Cenário pra muita gente de bem buscar alternativas fora do Rio ou mesmo fora do país (não é pra qualquer um). A frase batida “A saída é o Galeão” está deixando de ser apenas uma gracinha pra se tornar uma opção.

Não é pra todos, embora a vontade seja crescente. Mas pra quem não pode simplesmente jogar tudo pra cima e recomeçar em outro lugar, uma listinha de 5 músicas que tocam no assunto, pra distrair um pouco:

“Deu pra ti” – Kleiton e Kledir : uma música de gaúchos para gaúchos, quase um hino de amor a Porto Alegre. Mais ou menos como alguns brasilienses fizeram com ‘Infinita Highway’, convertida para ‘Infinita W3’. Conhecendo ou não o Sul, por que não fechar tudo aqui e recomeçar em Porto Alegre? Pois é…

“Meu caro amigo” – Chico Buarque : Chico fez essa inspirada no exílio dos tempos da ditadura, mas se você não conhece a origem da música pode muito bem interpretá-la com o viés de quem tá doido pra sair fora dessa loucura. Foram-se quase 40 anos do lançamento dessa música, e mesmo assim o verso “Mas o que eu quero é lhe dizer que a coisa aqui tá preta” está atualíssimo.

Space Oddity” – David Bowie : a música vai além e fala de um astronauta saindo da Terra, eu nem pensava em nada assim tão radical… 😀 Mas essa música me veio a cabeça por causa do filme ‘A vida secreta de Walter Mitty‘, especialmente quando ele coloca uma ideia na cabeça e viaja pelo mundo em busca dela. Meus impulsos de fuga muitas vezes vão nessa linha.

Bogotá” – Criolo : Independente do que você quer da vida, chegamos a um ponto em que Bogotá começa a parecer um lugar tentador. Especialmente embalado por essa ótima música do Criolo

“Vamos fugir” – Gilberto Gil : Existe música mais perfeita para esse tema do que “Vamos fugir”? Não só pela letra simples e amarradinha (“Onde quer que você vá / que você me ca-reggae…” é magistral). O astral dessa música contagia, mesmo que você não seja lá um grande fã de reggae (eu particularmente não sou). Uma utopia musical das mais gostosas.